quinta-feira, 30 de dezembro de 2010



PROIBIDO AMAR

12-01-02

Tento,
mas não te consigo esquecer.
Tento,
mas não consigo parar de te querer.

Ignoras-me,
mas não consigo parar de te amar.
Ignoras-me,
mas mesmo assim beijaste-me  ao luar.

Olhaste-me,
reavivaste a minha esperança.
Olhaste-me,
porque já não me vês como uma criança.

Amo-te,
mesmo através de toques banais.
Amo-te,
porque para mim são especiais.

Supreendeste-te,
quando por ti me viste chorar.
Supreendeste-te,
quando te disse que era contigo que andava a sonhar.

Destruiste-me,
quando me pediste para parar de te amar.
Destruiste-me
quando meu coração parou de te chamar.


Ruben Saraiva

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010


VIAGEM LONGE DE TI

12-01-02
Vagueio pelo sonho infinito,
Iluminado por um desejo.
Atravesso oceanos que crio,
Guiado por estrelas que vejo.
Enquanto alguém do mundo vivo,
Me acorda com um doce e terno beijo...

Logo agora que se aproximava o impossível.
Ouço o leve e ruidoso beijo que me corta o combustível.
Não és tu? Eu sei porquê. Já não me queres acordar?
Giro louco em torno dos meus gélidos e vazios lençóis.
E é como o Sol sem calor, um beijo materno ainda sem: sentir Amor

De mistérios criados pela lua, fresca e nua
Esperanças criadas pelo Sol

Tu contemplas o céu azul sensível e crias o impossível, mas o
Imperador sou eu, apesar de ser invisível.


Ruben Saraiva

terça-feira, 28 de dezembro de 2010



CONTRADIÇÃO
12-01-02
   Que olhar é esse? Esse olhar de maldade. De só querer o mal para os outros sem dó e piedade. Que olhar é o teu? Porque estás com tanto ódio, que te fizeram? Para olhares para mim com esse olhar frio e mórbido.
    Liberta o teu espírito e dá asas à imaginação. Olha para a vida diferente e ilude teu coração.  Mesmo que não tenhas motivo liberta um simples sorriso, pede algo proibido. Mas não penses na maldade, nem tão pouco na crueldade.
    Olha! Faz como eu, vive a vida a valer, mesmo que te corra algo mal nunca deixes de vencer. Porque ela é única, até a podemos achar demais, mas se não soubermos cuidar dela poderá ser tarde demais...

Ruben Saraiva

Naquela Praia
03-12-2010
Por entre brumas da minha memória, ouço o vento murmurar-me ao ouvido segredos desconhecidos que nunca esqueci.
Sou pétala de rosa caída no chão, sou áurea do meu ser, fera, feroz e ferida. Arranquei mil pedaços do meu ventre para te dar a mamar, na esperança de uma profunda calma, uma grandiosa e voluptuosa onda arrebate-se sobre mim.
Giro gélido naquela tarde cinzentas, pensando como me hei-de mexer, meus pés prendem-se na areia molhada, meu corpo cobre-se de uma volumosa brisa que se agita bruscamente sobre aquele cenário.
Quando já se aproximava a minha derradeira esperança de deitar o corpo no Mar salgado, sinto uma doce lágrima deslizar sobre meu semblante rasgado de emoção.
Paro! Para pensar, sorrir, chorar, lamentar porque fui parar aquela praia naquele dia cinzento e com céu de breu. Sem luz, sem graça onde minha fonte segura, a única fonte luminosa encontra-se longe do meu mundo.
Arrasto todas estas dores e desilusões impostas pela estúpida ganância do Homem, da infelicidade de achar um tenebroso futuro, numa calma, um suspiro que se amaina á medida que vou andando lentamente, enquanto meus pés sangram por determinar loucura. Uma traição do meu cérebro com meu coração.
Olho para o infinito e só vejo brumas e desejos esquecidos, daqueles murmúrios das rochas quando as ondas as beijam com fervor e as rasgam. Pois sinto destruição e dor na sua esperança.
Ando mais um pouco em busca de uma certeza atroz e do meu encontro com a Natureza que se avizinha, aguardando paciente por uma forma de encontrar a minha própria realidade perdida, mas não encontro vivalma, só desilusão de ter ido parar aquela praia cinzenta, de ter pisado aquela areia húmida de desejo que perturba meus pensamentos.
Aquela água salgada que atormentou minha memória, aquele vento que se agitava a todos os instantes que tentava encontrar uma solução plausível.
Penso solenemente que o melhor seria ficar parado no meu Mundo e nunca mais voltar aquela praia. Naquela noite parei, porque a noite prolongou-se e é difícil entende-la.

Ruben Saraiva